CTCAN
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PUBLICADO EM:
21/03/2016

Simpósio discute evolução e tratamento do câncer de mama

Promovido pelo Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), evento reuniu especialistas da área de todo o país nos dias 18 e 19 de março, em Passo Fundo.

O câncer de mama é o mais incidente na mulher brasileira, sem considerar os tumores de pele não melanoma. Para o Brasil, em 2016, a perspectiva é de quase 60 mil novos casos, com um risco estimado de 56,2 casos a cada 100 mil mulheres. Os riscos do câncer de mama, rastreamento e tratamento foram alguns dos principais assuntos discutidos no 1º Simpósio do Câncer de Mama, promovido pelo Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), de Passo Fundo (RS). O evento aconteceu no Auditório Biomédico da Faculdade de Medicina da Universidade de Passo Fundo, nos dias 18 e 19 de março.

Para o coordenador do evento e oncologista clínico do CTCAN, Álvaro Machado, o evento aproximou a classe médica regional das mais recentes pesquisas realizadas no Brasil e no exterior. “Esse é um importante momento para a classe médica que atua com o diagnóstico e tratamento do câncer solidificar o conhecimento e de absorver novas experiências. Penso que isso vai trazer benefícios para a população, pois o diagnóstico ainda é tardio e a incidência e mortalidade do câncer de mama continua crescente. Estudos indicam que 70% dos diagnósticos de câncer são feitos por médicos não-cancerologistas, o que evidencia a importância destes profissionais na identificação da doença”, pontua.

 

Com a presença de cerca de 500 pessoas, evento discutiu possibilidades de cura e ferramentas que garantam uma melhor qualidade de vida às mulheres com câncer de mama.

Com a presença de cerca de 500 pessoas, evento discutiu possibilidades de cura e ferramentas que garantam uma melhor qualidade de vida às mulheres com câncer de mama.

 

Fatores de risco

Nos Estados Unidos, para cada homem, 100 mulheres terão câncer de mama. “O principal fator de risco é ser mulher”, destaca o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Dr. Ruffo Freitas Jr. Segundo ele, o envelhecimento da população, a idade da primeira menstruação menor que 12 anos, o primeiro filho depois dos 30, a menopausa após os 55 anos, são fatores que elevam gradativamente esse risco. “Os fatores endócrinos/história reprodutiva estão relacionados principalmente ao estímulo estrogênico, seja endógeno ou exógeno, com aumento do risco quanto maior for a exposição”. São fatores que para a mulher contemporânea dificilmente se modificarão. Entre os fatores modificáveis, estão as mudanças na dieta e a ingestão de álcool. “Nós sabemos que as mulheres brasileiras e as mulheres jovens ingerem uma quantidade muito maior de álcool que no passado”, explica Freitas.

Mamografia anual a partir dos 40

Algumas controvérsias surgiram, nos últimos anos, com relação a mamografia, entre elas a periodicidade e idade inicial em que as mulheres devem passar a realizar o exame. Médicos de alguns países têm recomendado adiar a realização regular de mamografia para depois dos 50 anos, com base na análise dos resultados de programas de redução da mortalidade por câncer de mama. O assunto foi trazido pela médica radiologista pela Santa Casa de Porto Alegre e médica da Clínica Kozma (Passo Fundo), Dra. Fernanda Kraemer, que explicou que desde a década de 1980, com o início do rastreamento assintomático houve uma redução na mortalidade por câncer de mama de 30%. Grande parte disso foi pela terapia e pelo tratamento, mas não se pode subestimar o papel da mamografia e da detecção precoce nessa redução da mortalidade. “Os estudos recentes confirmam que a detecção precoce é essencial no aumento da sobrevida. A maior parte das mortes por câncer de mama, dos 40 aos 49 anos, ocorreu justamente em mulheres que não participavam do rastreamento anual”, explica a médica. A Sociedade Brasileira de Mastologia reitera a recomendação de indicar a mamografia, exame de rastreamento do câncer de mama, para mulheres a partir dos 40 anos anualmente. “Eu não quero perder o diagnóstico precoce dessas mulheres. Para mim não faz sentido nenhum espaçar mais ainda o rastreamento”, afirma.

Atividade física durante e após o tratamento

Com as novas tecnologias, drogas e tratamentos, as chances de uma mulher morrer por câncer de mama estão reduzindo. Porém, é preciso garantir o bem-estar da paciente, mesmo depois que o tratamento foi encerrado. É nesse ponto que entram os benefícios da atividade física. De acordo com o Dr. Ruffo Freitas Jr., a prática traz inúmeros benefícios durante a quimioterapia, diminuindo os efeitos colaterais e, durante a radioterapia, reduzindo a fadiga. Além disso, auxilia no pós-cirurgia, melhorando a qualidade de vida e trazendo bem-estar emocional e funcional à paciente. “A grande questão é a adesão a longo prazo. Por isso todos os profissionais de saúde precisam estar atentos a essa paciente. Nós temos sobreviventes do câncer de mama que serão nossas amigas durante anos, durante décadas. E elas precisam do carinho de cada um de nós”, afirma.

Progressos para o HER2-positivo

O avanço dos medicamentos para o tratamento do câncer de mama metastático do tipo HER2-positivo – um dos tipos mais agressivos, que acomete até 20% das pacientes – foi tratado pelo oncologista clínico no Hospital Sírio-Libanês e professor da Faculdade de Medicina da USP, Dr. Max Mano. Segundo ele, essa é, com certeza, a área da oncologia onde houve maior progresso na última década em termos novidade e o ganho impressionante de sobrevida. “Hoje é comum pacientes viverem cinco anos ou mais, enquanto na era pré-terapia a sobrevida era de apenas um ano. Realmente uma das histórias de sucesso da oncologia”, afirma.

Era pós-trastuzumab

O primeiro tratamento que surgiu foi o trastuzumab, que até hoje desempenha um papel muito importante. No Brasil, há um problema grave de acesso ao medicamento, que chegou com 9 anos de atraso o que, infelizmente, provocou a perda de milhares de vidas. “Ele teve um papel muito importante, de impacto considerável no aumento da sobrevida dos pacientes. Ainda estamos brigando para ter o medicamento no SUS e ele já é superado. Estamos em uma era além do trastuzumab”, explica Mano. O medicamento mais recente é o T-DM1, o próprio trastuzumab, acoplado a uma molécula quimioterápica que é injetada diretamente dentro da célula tumoral, onde vai fazer o efeito biológico de destruição. Segundo o oncologista, ele é extremamente bem tolerável, porque é aplicado sem quimioterapia e mostrou um aumento significativo na sobrevida. “Essa droga existe no sistema privado no Brasil, é possível prescrevê-la, mas não existe no sistema público e não tem o menor movimento para que isso aconteça”, alerta.

1º Simpósio de Câncer de Mama

A primeira edição do Simpósio de Câncer de Mama, promovido pelo CTCAN, abordou em um total de 13 palestras outros importantes temas como a padronização nos testes de Imunohistoquímica, técnicas de radioterapia e os fatores prognósticos e preditivos para terapia adjuvante. No evento, outros nomes de destaque no segmento de tratamento ao câncer também participaram, como a Patologista Sênior do Laboratório Bacchi (Botucatu/SP), Dra. Sheila Wludarski, a Radioterapeuta do Hospital Moinhos de Vento (Porto Alegre), Dra. Daniela Barletta e a Médica Radiologista da Santa Casa (Porto Alegre) e da Clínica Kozma (Passo Fundo), Dra. Fernanda Aesse Kraemer.

Fonte: DW Press – Assessoria de Imprensa