CTCAN
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PUBLICADO EM:
03/09/2017

Câncer urológico em debate

IV Simpósio de Câncer Urológico reuniu especialistas renomados do país em Passo Fundo/RS

Simpósio abordou, especialmente, os cânceres de próstata, rim e bexiga. Fotos: Marcelo Parizzi

O câncer urológico foi tema de Simpósio realizado no dia 1 de setembro, em Passo Fundo, na região Norte do Rio Grande do Sul. O IV Simpósio de Câncer Urológico reuniu especialistas de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul para debater as novidades e controvérsias no diagnóstico e tratamento da doença. O Simpósio foi realizado pelo Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), com apoio da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), além de diversas instituições de saúde e de educação.

Em 2015, o câncer urológico, que inclui rim, bexiga, pênis, próstata e testículos, matou 20 mil homens no Brasil. Só o câncer de próstata, que é o mais incidente, causou 14 mil mortes. No Rio Grande do Sul, o câncer urológico foi responsável pela morte de cerca de 1,6 mil gaúchos. A quarta edição do evento abordou, especialmente, os cânceres de próstata, rim e bexiga devido às novas informações e mudanças de condutas tradicionais decorrentes de inúmeros estudos clínicos nestes dois últimos anos.

Participaram do evento, médicos especialistas, urologistas, radio-oncologistas, patologistas, oncologistas, radiologistas, médicos da região e em formação, além de profissionais que atuam no cuidado do paciente com câncer urológico. “O Simpósio é uma oportunidade única de educação continuada na área com especialistas expoentes nacionais, com ampla discussão de aspectos laboratoriais, patológicos, diagnósticos, cirúrgicos e clínico. Sabemos que o câncer de próstata é o mais incidente no homem, ainda com alta mortalidade, e o câncer renal tem aumentado de forma gradual sua taxa anual, o que torna o tema de grande importância tanto para a comunidade científica como para a população geral”, declara o oncologista do CTCAN e coordenador do Simpósio, Dr. Alvaro Machado.

Câncer de próstata

Sobre câncer de próstata, o evento abordou aspectos patológicos e moleculares tanto na doença em estágios iniciais como avançados, novos exames para identificação da doença e suas aplicações práticas, além das mudanças nas rotinas terapêuticas e suas novidades.

Nesta quarta edição, uma das novidades foi a presença do médico patologista, Dr. George Câmara Lopes (PR). “Quanto mais precoce a intervenção maior a probabilidade de sucesso e melhores são as taxas de cura. Os critérios diagnósticos do câncer de próstata vêm sofrendo diversas atualizações e melhorias em sua nomenclatura. Diante deste contexto, o tratamento e diagnóstico destes pacientes cada vez mais exigem atualização dos profissionais envolvidos para que os pacientes tenham possibilidades de se beneficiar desta evolução”, salienta o palestrante.

O oncologista clínico, Carlos Dzik (SP), que participa desde a primeira edição do Simpósio, comentou que o tratamento do paciente com câncer de próstata avançado, desde a década de 1950, baseia-se em medidas de castração, ou seja, na redução dos níveis circulantes de hormônio masculino – a testosterona. “Recentemente estudos tem mostrado o benefício adicional de, juntamente com a castração inicial, utilizarmos quimioterapia nesta fase ou mesmo outras formas de tratamento hormonal, de tal maneira a reduzir ainda mais os níveis circulantes de testosterona. Estes tratamentos adicionais têm aumentado o tempo de vida destes pacientes”, revela Dzik.

Para a prevenção do câncer de próstata, é recomendado que todo homem seja examinado aos 50 anos e, a partir desta primeira avaliação, dependendo dos fatores de risco encontrados, é feito um plano de acompanhamento e exames regulares. O especialista indicado nestes casos é o urologista.

Câncer de rim e bexiga

O Simpósio discutiu o papel da cirurgia em câncer renal avançado e novos tratamentos. Já no câncer de bexiga, os palestrantes abordaram basicamente o papel da imunoterapia no tratamento da doença inoperável. 

O cirurgião urológico, Dr. Marcos Dall’Oglio (SP), abordou em uma de suas palestras sobre a Nefrectomia no Câncer Renal Metastático. “A retirada do tumor primário do rim mesmo na presença de metástases pode fazer a doença estabilizar ou regredir e aumentar consideravelmente a expectativa de vida das pessoas tratadas”, enfatiza Dall’Oglio.

O oncologista clínico, Dr. Carlos Dzik (SP), também falou sobre os novos tratamentos para os pacientes com câncer de rim. “No decorrer dos último 10 anos, surgiram quase uma dezena de novos tratamentos para os pacientes com câncer de rim metastático, ou seja, avançado, disseminado. O que se discute muito é o fato de que diante desta situação e, sobretudo, com o advento de novas medicações, a medicina luta por determinar o melhor sequenciamento dos remédios, ou seja, qual deve ser a decisão do próximo tratamento quando o anterior não dá certo”, pontua Dzik.

O patologista George Câmara Lopes ressalta que o tratamento do câncer renal e de bexiga, nos últimos cinco anos, entrou definitivamente na era da medicina personalizada. Atualmente, o tratamento destas lesões está cada vez mais específico. “Descobrimos nos últimos anos que neoplasias com o mesmo nome nem sempre têm o mesmo prognóstico ou comportamento biológico. Sabemos que mutações específicas no DNA destas lesões podem conferir a lesão capacidade de metástases, invasão local e outras características que podem piorar o prognóstico da doença. Além disso, podemos identificar alvos terapêuticos, selecionando tratamentos com maior taxa de resposta e menor taxa de efeitos colaterais”, explica Lopes.

Palestrantes do Simpósio

O cirurgião urológico Dr. Marcos Dall’Oglio, professor da Faculdade de Medicina da USP e do corpo clínico do Hospital Sírio Libanês, e o oncologista Dr. Carlos Dzik, coordenador do câncer urológico do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e também do Hospital Sírio Libanês, estão entre os principais palestrantes desde a primeira edição do Simpósio. Também participaram a radiologista do Hospital Moinhos de Vento e coordenadora do Diagnóstico por Imagem Abdominal, Dra. Alice Schuch, o patologista Dr. George Câmara Lopes, professor da Faculdade de Medicina da PUC-PR, e o radio-oncologista Dr. Wilson Almeida Jr., coordenador do Serviço de Radioterapia do Hospital Moinhos de Vento.

Os painéis do Simpósio foram coordenados pelo médico radiologista Dr. Aldo Paza e pelos médicos urologistas Dr. Daniel Gobbi, Dr. Eduardo Scortegagna, Dr. Jorge Winckler e Dr. Marcelo Justo.

Fonte: Assessoria de Imprensa CTCAN – Natália Favero