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PUBLICADO EM:
16/09/2019

Robótica, imunoterapia e precisão diagnóstica no combate ao câncer urológico

Esses temas foram destacados no 5º Simpósio de Câncer Urológico, realizado em Passo Fundo

Simpósio ocorreu nos dias 13 e 14 de setembro, em Passo Fundo. (Fotos: Natália Fávero)

A robótica e a imunoterapia foram alguns dos temas mais destacados no 5º Simpósio de Câncer Urológico, realizado em Passo Fundo, nos dias 13 e 14 de setembro, no auditório da Unimed. Nesta edição, o Simpósio abordou principalmente três tipos de câncer: de próstata, de bexiga e de rim. Especialistas nacionais trouxeram as principais novidades em relação ao diagnóstico e tratamento desses cânceres. O evento foi promovido pelo Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), com o apoio da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), da Fasurgs e das faculdades de Medicina da Imed, UFFS e UPF, entre outros apoiadores.

A programação do Simpósio contou com a participação do oncologista clínico Dr. Carlos Dzik (SP), do médico nuclear Dr. Diego Bromfman Pianta (RS), do radio-oncologista Dr. Cesar Augusto Silva (RS), da patologista Dra. Sheila Friedrich Faraj (SP), e do urologista Dr. Marcos Dall‘oglio (SP). O Simpósio é realizado a cada dois anos. “O Simpósio é bianual e faz parte do calendário médico de Passo Fundo. Como a evolução do conhecimento e da tecnologia na área do câncer é muito intensa e acelerada, este intervalo de dois anos traz sempre muitas novidades e consolida o conhecimento adquirido neste período”, afirmou o coordenador geral do evento, o oncologista clínico do CTCAN, Dr. Alvaro Machado.

A robótica é uma realidade

As cirurgias robóticas são consideradas uma das grandes novidades no tratamento cirúrgico dos cânceres urológicos, sendo mais ágeis, seguras e minimamente invasivas. Um grande auxílio, especialmente, para o tratamento do câncer próstata, que acomete um a cada sete homens sendo o mais comum nesta população, com mais de 60 mil diagnósticos ao ano. “A principal novidade na área cirúrgica é o surgimento da robótica, que nos trouxe uma segurança muito maior, retirando a próstata sem causar danos aos outros tecidos. Existe a preocupação com a continência urinária e função sexual. A robótica ajuda muito nesse sentido”, pontuou o urologista Dr. Marcos Dall‘oglio (SP).

Cânceres urológicos devem aumentar em razão do envelhecimento da população

Em 2030, no Brasil, o número de idosos ultrapassará o total de crianças entre zero e 14 anos. Tendo em vista que muitos dos cânceres urológicos são considerados da terceira idade, é preciso um olhar especial para esses tumores.

O câncer de bexiga e de rim são muito menos prevalentes que o de próstata, mas matam mais. “O câncer de bexiga atinge mais as pessoas após os 60 anos e está muito relacionado ao tabagismo. Nesta região do Planalto Médio, onde têm muitas pessoas que trabalham com motores na área agrícola ou com produtos químicos, o risco é maior. Na doença inicial, após a cirurgia, drogas administradas diretamente na bexiga diminuem o risco de a doença voltar. A cirurgia robótica e HiFu (ultrassom de alta frequência) também são novidades. Reconstrução da bexiga e tratamentos combinados podem melhorar a qualidade de vida do paciente forma muito satisfatória”, enfatizou o urologista Dall‘oglio.

Cerca de 75% dos casos de câncer de próstata no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. “O câncer de próstata é um tumor que vem com a idade, com o envelhecimento. Só que a maioria desses tumores não têm significado clínico, não apresentam sintomas e não terão impacto algum na saúde do homem. “Acabamos descobrindo nos pacientes que fazem o exame PSA, motivando a biópsia. Sete a cada 10 homens tratados são curados, de três a cada 10, a doença volta e surge o risco de metástases, disseminando-se. E no câncer de próstata essa disseminação ocorre preferencialmente para o esqueleto, para o osso”, comentou o oncologista clínico Dr. Carlos Dzik (SP).

Imunoterapia e terapia alvo no combate aos cânceres de rim e bexiga

Cerca de 10 mil novos casos de câncer de bexiga e outros seis mil de rim são registrados por ano no Brasil. O de rim é considerado o tumor urológico mais letal, correspondendo a cerca 3% dos tumores malignos do adulto. A imunoterapia e a terapia alvo são novas formas de tratamento destes tumores.

Imunoterapia são drogas que exploram os próprios mecanismos de defesas do organismo, fazendo com que o sistema imune se torne mais eficiente contra os tumores. A terapia alvo são drogas específicas que agem em certas proteínas que os tumores têm, impedindo-os de crescer. “A imunoterapia não age sobre os tumores, mas sobre o sistema imune das pessoas. Já a terapia alvo, age diretamente sobre os tumores, desligando-os, fazendo com que essas células tumorais parem de se proliferar”, explicou o oncologista Dzik.

A imunoterapia pode curar os cânceres de rim e de bexiga, considerados agressivos. “Hoje conseguimos falar de cura desses cânceres por meio da imunoterapia, especialmente nos pacientes com câncer de bexiga. No câncer de rim, já sabíamos que a imunoterapia podia curar, mas não com essa imunoterapia atual, menos tóxicas para o paciente. Isso é uma novidade dentro da oncologia”, destacou Dzik.

Prevenção

Entre os fatores de risco para os cânceres de próstata, de rim e de bexiga estão o histórico familiar e mutações genéticas, mas o estilo de vida também tem uma grande influência. “A primeira dica é não fumar. Hábitos saudáveis de alimentação, exercícios físicos regulares e manter o peso adequado devem fazer parte da rotina. Além disso, não esquecer de fazer consultas e exames indicados por seu médico a partir dos 50 anos de idade”, ressaltou o oncologista Alvaro Machado.

Fonte: Assessoria de Imprensa CTCAN – Jornalista Natália Fávero